As Gêmeas de Auschwitz
Autora: Eva Mozes KorCo-autora: Lisa Rojany BuccieriEditora: Faro Editorial160 páginasSkoobSinopse: No verão de 1944, Eva Mozes e a família foram enviadas ao mais famoso campo de concentração nazista: Auschwitz. Trinta minutos após a chegada todos já haviam sido separados. Os pais e duas irmãs mais velhas foram mandados para a câmara de gás enquanto Eva e Miriam, sua irmã, foram poupadas por um detalhe: elas eram gêmeas. Com apenas dez anos de idade, elas foram levadas aos cuidados do homem que ficou conhecido como o anjo da morte: o doutor Josef Mengele. Em Auschwitz, os gêmeos eram tratados de forma diferente. Possuíam o “privilégio” de manter as próprias roupas e o cabelo, no entanto, eles eram submetidos a vários experimentos. Narrado por Eva, reunindo memórias, documentos e relatos históricos, a obra leva o leitor para os dias no campo de concentração sob o olhar de uma criança até a sua libertação. Eva dedicou sua vida a compartilhar sua história de resistência e sobrevivência ao Holocausto. Apesar da experiência terrível, ela tomou a decisão de não viver com amargura, mas sim transmitindo uma mensagem de esperança para as pessoas que sofreram, e trabalhando em prol do perdão, da paz e da eliminação do ódio e do preconceito no mundo.
As Gêmeas de Auschwitz é um livro biográfico da sobrevivente de Auschwitz Eva Mozes Kor. Ela e sua irmã faram mandadas para o campo de concentração e extermínios e tiveram uma chance de sobreviver aos horrores lá perpetrados, já que o Dr. Mengele, o "Anjo da Morte" tinha predileção por gêmeos. O homem sádico realizava experiências genéticas, inserindo através de injeções virus mortais no corpo dos jovens em seu poder, entre outros experimentos cruéis. A união dessas duas irmãs foi o que as manteve vivas, quando a sua família e muitos outros judeus, homossexuais e qualquer um que fosse contra o regime nazista encontavam a morte na câmara de gás ou devido aos abusos sofridos.
Esta história traz um forte relato da vida de Eva e sua irmã durante o tempo que passaram em Auschwitz. Ela começa narrando sua vida antes da invasão da Alemanha à Hungria, e tudo parecia perfeito, moravam em uma fazenda e a família era bem vista na pequena vila em que moravam. Contudo com o avanço do nazismo as coisas foram aos poucos mudando até o derradeiro dia em março de 1944 em que os nazistas chegaram para levar a família para o gueto e depois para Auschwitz.
Durante a narrativa Eva esboça a personalidade dela e de sua irmã e tudo que foram capazes para sobreviver aquele horror, esperando pela tão sonhada liberdade. Em certos momentos é angustiante ver o sofrimento pelo qual passaram, apesar de o pior de tudo estar escondido pela ótica da memória. Anos depois Eva explica que durante toda sua vida não soube quais foram as substâncias injetadas em seu corpo, apesar de ter alguma desconfiança.
Após os horrores da guerra Eva viveu para que o mundo enxergasse o que havia acontecido lá, concedeu perdão em seu nome aos seus torturadores, nunca generalizando esse perdão, pois o perdão deveria vir de cada um. Esta foi a forma que ela encontrou de seguir em frente e deixar a amargura para trás. Essa é a história real de uma mulher que viveu para educar o mundo, mesmo sabendo que o mau não pode ser extinguido, mas não deve ser esquecido.
A narrativa é fluída e concisa, a falta de "detalhes" impõe uma cortina de fumaça bem vinda, e acredito que proposital, para não apresentar os detalhes mais cruéis, pois a própria autora não se lembra muito deles, ou preferiu esquecer, este detalhe poupa o leitor e foi essencial para trazer uma leitura fluída.
Os fatos me deixaram bastante curiosa, tanto que fiz a leitura pesquisando detalhes, nomes e histórias que me ajudaram a aprofundar e conhecer melhor seus personagens.
Acho importante frisar que apesar de ser Eva quem narra os fatos, as ideias foram organizadas por uma co-autora de nome Lisa Rojany Buccieri, que ficou responsável por coletar os depoimentos de Eva e colocar no papel. Ao final da narrativa somos apresenteados com um Posfácio escrito por Peggy Tierney (procurei saber mais sobre a ligação entre ela e Eva mas não encontrei nada além do que está no Posfácio), e através dele podemos compreender um pouco mais das intenções de Eva ao perdoar seus torturadores, mesmo sofrendo com a reprovação de vários dos outros sobreviventes ela deixa claro que aquele perdão era dela e de ninguém mais.
O perdão não é tanto para o agressor, mas para a vítima.
Enfim, este é um livro para conhecer um pouco mais sobre os horrores cometidos pelos nazistas, além de aprender que nunca devemos deixar que as atrocidades caiam no esquecimento, é preciso estudá-las, se não entende-las - ao menos trazer a luz, para que todos se lembrem do que eles foram capazes.
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