quinta-feira, abril 20, 2017

[Resenha] O sol também é uma Estrela - Nicola Yoon

O sol também é uma Estrela
Autora: Nicola Yoon
Editora Arqueiro
288 Páginas
Skoob
 
 Sinopse: Natasha: Sou uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Não acredito na sorte. Nem no destino. Muito menos em sonhos que nunca se tornarão realidade. Não sou o tipo de garota que se apaixona perdidamente por um garoto bonito que encontra numa rua movimentada de Nova York. Não quando minha família está a 12 horas de ser deportada para a Jamaica. Apaixonar-me por ele não pode ser a minha história.
Daniel: Sou um bom filho e um bom aluno. Sempre estive à altura das grandes expectativas dos meus pais. Nunca me permiti ser o poeta. Nem o sonhador. Mas, quando a vi, esqueci de tudo isso. Há alguma coisa em Natasha que me faz pensar que o destino tem algo extraordinário reservado para nós dois.
O Universo: Cada momento de nossas vidas nos trouxe a este instante único. Há um milhão de futuros diante de nós. Qual deles se tornará realidade?
O sol também é um estrela é um livro que me interessou desde o momento que foi anunciado a sua publicação lá fora. Já conhecia a escrita da autora e tinha certa expectativa com relação a ele, porém não posso dizer que o livro foi tão bom quanto eu esperava. Felizmente Nicola Yoon tem um talento inato para no fim nos convencer de sua narrativa, assim como em "Tudo e Todas as Coisas" a história que começa pratica e singela ganha sentimento e consequentemente o leitor é absorvido pela narrativa.

Natasha é uma garota prática que se baseia em fatos e não em sentimentos, sua vida e ações são coordenadas pela lógica da ciência e qualquer coisa que não é palpável e que não possa ser comprovada está além da sua compreensão. Daniel por sua vez é um sonhador, movido por sentimentos o garoto pretende um dia se tornar poeta. Porém isso não é o que seus pais asiáticos querem para ele. Seu futuro predeterminado é torna-se médico, cursar Yale e suprir as expectativas que seu irmão mais velho fracassou tremendamente em seguir. 

Diante do peso que leva consigo por não saber ou não querer enfrentar os pais Daniel vai deixar-se levar pelo acaso, e quando conhece Natasha fará o possível para que a garota passe acredita na singeleza dos sentimentos e pretende provar a ela que é possível apaixonar-se em um único dia sem nunca terem se visto antes. Mas mesmo que isso seja possível Natasha não tem tempo para se deixar levar, ela e a família estão prestes a serem deportados a Jamaica e ela é a única esperança quando as coisas já parecem determinadas.

A narrativa de O sol também é uma estrela intercala o ponto de vista de diversos personagens e este recurso apresenta o cerne do livro, a clara intenção é mostrar ao leitor como um pequeno passo ou decisão tomada por nós interfere na vida de outro, seja em algo ínfimo ou substancial. Contudo, no início da leitura este artifício não me agradou. A inclusão de determinados personagens que inicialmente não pareciam fazer sentido quebra o ritmo da leitura e o desenvolvimento da história fica picado. Mas obviamente que no fim tudo passa a fazer sentindo, mas pensar que isso iria acontecer não melhorou muito o fato de que parecia estar lendo uma história fragmentada.

Em relação aos protagonistas há dois pesos e duas medidas. Enquanto Natasha me deixou desesperançada com seu ceticismo, praticidade e lógica, Daniel me fez ver que tudo é possível. Claramente que esta era a intenção da autora, mas sinceramente eu só achei que Natasha era mesmo uma chata, por mais que eu seja muitas vezes como ela. A relação dela com o pai foi o que mais me deixou triste. Natasha me passou a ideia de uma pessoa egoísta. Acredito que todos cometemos erros na vida e em um momento ou outro magoamos os nossos, mas acredito que em família apoio é essencial, independente do tamanho do erro. Existem famílias e famílias e a de Daniel e Natasha provam o quanto as expectativas são diversas, o quanto a cultura influencia no desenvolvimento e pensamento do ser humano.
"Ninguém quer acreditar que a vida é aleatória. Meu pai diz que não sabe de onde vem meu ceticismo; mas não sou cética. Sou realista. É melhor ver a vida como ela é, e não como a gente quer que seja. As coisas não acontecem por algum motivo. Simplesmente acontecem."
Enquanto lia me deparei com uma resenha que dizia que o livro seria melhor se não fosse o romance e juro que gargalhei. Apesar da história apresentar assuntos importantes como imigração ilegal, desesperança, ciência, pressão familiar, diferenças culturais e a grande questão sobre as decisões que irão guiar o futuro, ele é principalmente um romance, uma história que busca provar que o amor é possível e pode ser imprevisível. E definitivamente aqueles personagens que eu comentei que inicialmente pareciam atrapalhar a narrativa fazem todo sentido no fim.
"Você provavelmente odeia poesia, mas é difícil questionar ‘Devo comparar-te a um dia de verão? És por certo mais linda e mais amena’ em termos de pura beleza. Somos capazes de grandes vidas. De uma grande história. Por que aceitar menos? Por que escolher a coisa prática, a coisa corriqueira? Nós nascemos para sonhar e fazer as coisas com as quais sonhamos."
Enfim, O sol também é uma Estrela é principalmente uma história de amor que nos estimula a acreditar e perseguir nossos sonhos e a compreender as diferenças. No fim da história minha maior decepção foi que a história terminou, este é definitivamente aquele tipo de livro que deixa aquela de quero mais. A diagramação simples da editora está bem trabalhada como sempre, a capa não é sensacional mas é vibrante assim como a história. No mais, se você curte romances leves e destino vá correndo ler este livro.
 

Um comentário:

  1. Oi, Ju!!

    Adorei sua resenha. Tenho o livro aqui em casa, mas não consegui pegá-lo para ler ainda.
    Com certeza estará na lista de minhas próximas leituras!! :)

    Bjs

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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